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Esquecem ou fingem não ver?

junho 27, 2009

Informar com lealdade, compromisso e selecionar o que é e o que deixa de ser notícia pelo grau de interesse do público receptor, isso tudo sem ser sensacionalista. Esses são compromissos que o jornalista dever ter com toda a população, mas e na realidade é isso que ocorre?

Atualmente no Brasil um menor de 14 anos é morto a cada dez horas, o que representa 876 crianças mortas e violentadas brutalmente por ano. Dessas apenas uma ou duas aparecem nos noticiários, principalmente nos telejornais, e as outras nem se quer são divulgados em números.

Concordo que não é necessário mostrar todos os casos, mas não entendo porque mostrar de forma absurda alguns deles e deixar de comentar os demais. Em acontecimentos trágicos como o de Isabela e Eloá é feita uma cobertura “especial” sobre a vida da pessoa, da família, etc, mas não divulgam a quantidade de pessoas que morrem todos os anos no Brasil pelas mesmas causas. Logo após uma tragédia como a de Eloá, aparecem na mídia outros casos parecidos. Não acredito ser influencia da mídia sobre a população, mas sim a falta de noticias que representem a triste realidade de nosso país, em números. Outro fator que me deixa intrigada e curiosa é que quando são noticias tristes de outros países geralmente esses números aparecem. Por que mostrar os números deles e não os nossos? Os deles são mais relevantes a nossa população?

Talvez ocorreu um engano de minha parte, alguns desses números são noticiados sim. Mas uma vez por ano, geralmente, quando a emissora faz o papel de “boa samaritana”, para impressionar a população na tentativa de cumprir seu papel social e ajudar o povo brasileiro. Esse é o compromisso do jornalista? Será que não está faltando algo nesse dever? Eu sei que é muito fácil falar, mas no meu ver não há interesse, nem dos jornalistas e muito menos das empresas de comunicação para reverter esse quadro. A cada novo caso “espetacular” só muda os personagens, a cobertura é praticamente a mesma.

A televisão é o meio de comunicação mais acessível e de maior credibilidade entre a população. Essas não são afirmações minhas, podemos comprovar quando ouvimos alguém falar: “É verdade, passou na televisão” e o que nós jornalistas estamos fazendo com essa “arma” poderosa que temos em mãos? O poder da televisão também é confirmado em números: 93,3 % dos lares brasileiros possuem televisores, e nós jornalistas perdemos tanto tempo com esse sensacionalismo barato, em cima de um caso que poderiam ser coberto de forma mais simples.  Depois nos achamos no direito de brigar por mais espaço nos telejornais, pedindo para que diminuam o tempo dos comerciais. Resta-me a dúvida: para que? Não precisamos de mais tempo para matérias desse porte, precisamos de matérias educativas, culturais que ajudem na formação e informem o povo brasileiro.

Até quando isso permanecerá? O povo brasileiro está cansado dessas novelas da vida real e em horário de noticiários, e espera mudanças. A internet já está ganhando espaço entre os meios de comunicação, se o telejornal continuar da forma que está ele não será o próximo a perder espaço para a internet?

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